Curitiba passou por uma costumeira mudança
rápida de temperatura, para desconforto de seus habitantes humanos. Das tardes
ensolaradas da semana anterior, ficou a saudade, pois a noite daquele seis de
agosto de 2013 estava fria.
Indiferente as queixas sobre o clima, uma
parcela em especial da população contemplava a cidade. Não se queixava, mas
eram nítidas as variações de seus humores. Afinal, as árvores e flores expressam
suas reações por meio da mudança de cor ou ausência de suas folhas.
Mas naquela noite, uma espécie muitíssimo
peculiar de planta desabrochou. E tão particular quanto seu tempo de plantio, são
suas folhas e o solo no qual ela se desenvolve.
No hall de entrada do Museu Guido Viaro, um
homem chega com uma mochila nas costas e uma caixa de papelão em mãos. Ele
larga a mochila atrás do balcão, logo a frente da porta principal, põe a caixa
em cima deste, abre-a e tira papéis dela. “Logo o público chega”, ouve-se dele,
e olhando mais de perto, nota-se que os papéis que antes estavam na caixa são
na verdade livros.
“Conto não vende? Ótimo. Só publicamos contos.”
É este o mote da Tulipas Negras Editora. Criada por Marcio Renato dos Santos (o
homem a arrumar os contos no balcão) em 2012, a editora publica livros-conto, que
cabem no bolso de um paletó ou jaqueta.
Tanto autores novos quanto consagrados
figuram entre aqueles cujos contos foram distribuídos gratuitamente pela editora,
entre eles Luiz Rebinski, Fabio Campana, Nilson Monteiro e Guido Viaro.
Esta foi a quarta edição, ou ‘fornada’, nas
palavras de divulgação da editora. Os contos entregues foram “Encontros e
Desencontros”, de Marisa Vilella; “4 Contos”, de Oneide Diedrich; “Walter”, de
Paulo Venturelli; e “O Velho Poeta”, de
Dalton Trevisan. Os três primeiros estavam no evento e contaram um pouco da
experiência da escrita, e depois autografaram os livros.