Quinta-feira, 24 de outubro de 2013, quarto
dia da FLIM, Festa Literária do Medianeira. Iniciando a bate-papo da tarde, o
mediador Gustavo Pinheiro comenta sobre a cultura oral do Brasil, em especial a
do nordeste, e sua possível associação noutras expressões. As riquezas da
oralidade nem sempre estão longe do mundo da escrita, argumenta Benito
Rodriguez, depende de como essa linguagem é usada, ele exemplifica que a poesia
absorveu alguns elementos da palavra falada.
Uma cultura falada que não é abafada por
letramento, de acordo com Caetano Galindo, outro convidado desta sessão. Inclusive,
uma provê ferramentas a outra, e ele diz não ver relação entre presença da
cultura oral e baixo letramento em determinadas regiões do país; e ressalta que
não se deve demonizar uma expressão em detrimento de outra.
E quanto aos discursos do homem sobre si
mesmo, além da leitura nos cursos específicos de humanas?, questiona Gustavo Pinheiro. O texto
considerado acadêmico é associado a obrigações, sendo renegado a segundo plano,
mas os leitores de ficção são muitos , afirma Caetano Galindo. Ele considera a
literatura um estudo do ser humano, como se fossemos forçados a enxergar a
espécie doutras formas durante a leitura; pois qualquer universo profissional é
limitador, caso seja o único direcionamento de um indivíduo – por isso Galindo
diz que as pessoas mais interessantes que conhece são aquelas que vão além de
suas profissões. A isso, Benito Rodriguez acrescenta o poder da literatura em proporcionar
se por na perspectiva de outro, ainda que por breves instantes.
O mediador indaga sobre os novos espaços do
texto, com a transição entre publicações impressas e virtuais. Houve uma
mudança no modo de se relacionar com a leitura, afirma Benito Rodriguez, mas
ele não vê problemas nos novos suportes. Não se trata de ver toda novidade como
algo rápido e necessariamente melhor, como se todas as ferramentas anteriores
devessem ser descartadas, mas o texto literário solicita tempo e concentração
especiais, algo chamado por Benito de desaceleração. Uma vantagem, ele diz, que
nos permite estabelecer um contraponto ao mundo excessivamente acelerado.
Antigamente, ao encomendar um livro
importado, a entrega demorava semanas, mas hoje 15 segundos após baixar um
e-book por Ipads ou celulares a leitura pode começar, conta Caetano Galindo,
embora isso não signifique sossego para o ato – ele exemplifica que mensagens
de celular não deixam ninguém em paz para tanto. Quanto a desaceleração
mencionada por Rodriguez, ele compara a leitura a uma atividade subversiva e
até cruel em relação ao que a sociedade espera, como se o ato demandasse uma
quantia de tempo que esta preferisse empregar em mero entretenimento. Basicamente,
cavar um buraco para ler sem pressa.