Na tarde de sexta-feira, 25 de outubro de
2013, a FLIM, Festa Literária do Medianeira, foi palco de um bate-papo com o
escritor Paulo Venturelli. A mediadora desta sessão foi a também professora Ana
Tezza, que indagou ao convidado como ocorre a relação entre literatura e vida,
considerando leitura e escrita atos solitários.
É uma solidão povoada por todos que
admiramos, de amigos antigos a novos, responde o professor. Mesmo sozinho, se
tem em mente leitores a serem contagiados pela história narrada no livro, cujo
sentido vem deles. Seu livro Anjo Rouco pode ser qualquer coisa, depende da
leitura de cada um, ele afirma, ato dependente da interpretação feita a partir
das entrelinhas do texto, dividindo a autoria deste com quem lê; afinal, um bom
livro é aquele que deixa mais dúvidas do que certezas, afirma Venturelli, para
quem a literatura é uma arte provocativa.
Ana Tezza pergunta-o como foi a trajetória
até ele se tornar escritor. Ele conta que quando estava aproximadamente na
idade do público – grande maioria composta por turmas do sexto ano, de 12-13
anos –, ouviu de seus professores que quem quisesse ser inteligente deveria
ler. Em retrospectiva, Venturelli conta que era tímido, falava pouco com os
colegas de classe; mas após ter começado a ler, passou a escrever melhor, e os
professores começaram a notar e elogia-lo na frente da turma, e no recreio eram
os alunos que iam pergunta-lo como que ele conseguia escrever tão bem, e
pediam-no dicas disso. Gradativamente, de aluno que copiava trechos dos livros
passou a escritor, e posteriormente a estudante na Faculdade de Letras.
Findadas as perguntas da professora Tezza, o
microfone foi passado para os alunos. Segurando cadernos de aula com anotações,
o primeiro estudante indagou como a história do livro Anjo Rouco pode ajudar no
entendimento do mundo. Venturelli diz que não sabe exatamente, mas há uma
possível compreensão do diferente na humanização do animal estranho que é o
protagonista e nome do livro em questão, como se víssemos o outro do outro.
Quando começa uma história, já sabe o final
dela? – questiona outro estudante. As vezes sim, responde o escritor, mas há
livros sem final definido; em resposta a outra pergunta, escreve mais de um
livro simultaneamente, tendo ideias para um próximo antes que a obra na qual
trabalhe esteja finalizada.