domingo, 27 de outubro de 2013

Entre desenhos e conceitos – Ademir Paixão e Pryscilla Vieira na Flim 2013

Manhã de quinta-feira, 24 de outubro de 2013. Após um bate-papo entre os jornalistas José Carlos Fernandes e Mariana Sanchez, o salão nobre do Colégio Medianeira foi palco para uma conversa entre dois profissionais desenhistas, no quarto dia da Flim, Festa Literária do Medianeira.

Ana Paula Luz, professora do colégio e mediadora desta sessão, pergunta aos convidados como começou a paixão pela atividade. O primeiro convite para aplicar seus traços profissionalmente foi em 1997, mas desde criança desenhava, conta Pryscilla Vieira, que trocava desenhos por lanches nos recreios. Quanto a Ademir Paixão, chargista da Gazeta do Povo há 27 anos, desenhava em Japira, cidade interiorana do Paraná onde morou enquanto menor,  gravuras encomendadas para fazendas e uma via crucis pintada em parede de igreja entre seus trabalhos iniciais.

A mediadora questiona quais as diferenças entre tiras, charges e demais formatos, ao que Paixão responde que a charge tem vida própria, vinculada ao noticiário, retratando algum aspecto deste, frequentemente com ironia e humor. Pryscilla comenta que a tirinha tem um tom mais leve e atemporal, sem ligação com o cotidiano.

Ana Paula Luz conta que encontrou desenhos atrás das provas dos alunos, apesar de atualmente os celulares e Ipads servirem como prancheta, e pergunta para os convidados como é a rotina de desenho deles. Vieira rascunha bastante no Ipad, e conta ter notado o que considera analfabetismo visual, por se lerem cada vez menos as imagens e nem sempre se interpretarem as reais intenções do desenhista com sua obra. Paixão compara desenhar a cozinhar, a evolução vem com a prática, e comenta sobre a presença do design em tudo, desde charges a uma singela cadeira – houve um processo de desenho nela.

É possível viver desenhando, em um sentido profissional? , pergunta Ana Luz. Rica a pessoa não se tornará, responde Ademir Paixão, mas isso depende do quanto se quer ganhar. Há uma porção de investimentos e pesquisas a serem feitos, permitindo não apenas o aprimoramento do traço mas também a criação de um estilo próprio – mas leva tempo. Pryscilla complementa, conta de uma visita que fez ao prédio de Maurício de Sousa, considerado um Walt Disney brasileiro, tamanho se tornou o império, nas palavras dela, construído por ele ao longo dos anos.

Vieira conta de sua personagem Ameli, uma boneca inflável com dois defeitos de fábrica: ela pensa e fala. Esta cria nasceu de uma vazão sentimental da desenhista, próximo ao natal de 2005, mas após divulgação cresceu e passou a ter espaços próprios, e a boneca antes comprada por um preço ‘módico’ tornou-se trabalho conhecido de Vieira, por meio do qual se põe contra a objetificação da mulher.


Questionado por Ana Luz, Ademir Paixão utiliza conceitos e preconceitos incutidos na sociedade ao desenhar, a exemplo de sátiras com a classe política, pois há uma noção amplamente difundida de desonestidade desta, ao contrário da política praticada 2500 anos antes, Paixão conta, onde o pertencente a esta categoria era quem ajudava a comunidade.