Manhã de quinta-feira, 24 de outubro de 2013.
Após um bate-papo entre os jornalistas José Carlos Fernandes e Mariana Sanchez,
o salão nobre do Colégio Medianeira foi palco para uma conversa entre dois
profissionais desenhistas, no quarto dia da Flim, Festa Literária do
Medianeira.
Ana Paula Luz, professora do colégio e
mediadora desta sessão, pergunta aos convidados como começou a paixão pela
atividade. O primeiro convite para aplicar seus traços profissionalmente foi em
1997, mas desde criança desenhava, conta Pryscilla Vieira, que trocava desenhos
por lanches nos recreios. Quanto a Ademir Paixão, chargista da Gazeta do Povo
há 27 anos, desenhava em Japira, cidade interiorana do Paraná onde morou
enquanto menor, gravuras encomendadas
para fazendas e uma via crucis pintada em parede de igreja entre seus trabalhos
iniciais.
A mediadora questiona quais as diferenças
entre tiras, charges e demais formatos, ao que Paixão responde que a charge tem
vida própria, vinculada ao noticiário, retratando algum aspecto deste,
frequentemente com ironia e humor. Pryscilla comenta que a tirinha tem um tom
mais leve e atemporal, sem ligação com o cotidiano.
Ana Paula Luz conta que encontrou desenhos
atrás das provas dos alunos, apesar de atualmente os celulares e Ipads servirem
como prancheta, e pergunta para os convidados como é a rotina de desenho deles.
Vieira rascunha bastante no Ipad, e conta ter notado o que considera
analfabetismo visual, por se lerem cada vez menos as imagens e nem sempre se
interpretarem as reais intenções do desenhista com sua obra. Paixão compara
desenhar a cozinhar, a evolução vem com a prática, e comenta sobre a presença
do design em tudo, desde charges a uma singela cadeira – houve um processo de
desenho nela.
É possível viver desenhando, em um sentido
profissional? , pergunta Ana Luz. Rica a pessoa não se tornará, responde Ademir
Paixão, mas isso depende do quanto se quer ganhar. Há uma porção de
investimentos e pesquisas a serem feitos, permitindo não apenas o aprimoramento
do traço mas também a criação de um estilo próprio – mas leva tempo. Pryscilla
complementa, conta de uma visita que fez ao prédio de Maurício de Sousa,
considerado um Walt Disney brasileiro, tamanho se tornou o império, nas
palavras dela, construído por ele ao longo dos anos.
Vieira conta de sua personagem Ameli, uma
boneca inflável com dois defeitos de fábrica: ela pensa e fala. Esta cria
nasceu de uma vazão sentimental da desenhista, próximo ao natal de 2005, mas
após divulgação cresceu e passou a ter espaços próprios, e a boneca antes
comprada por um preço ‘módico’ tornou-se trabalho conhecido de Vieira, por meio
do qual se põe contra a objetificação da mulher.
Questionado por Ana Luz, Ademir Paixão
utiliza conceitos e preconceitos incutidos na sociedade ao desenhar, a exemplo
de sátiras com a classe política, pois há uma noção amplamente difundida de desonestidade
desta, ao contrário da política praticada 2500 anos antes, Paixão conta, onde o
pertencente a esta categoria era quem ajudava a comunidade.