Segundo debate de terça-feira, 22 de outubro,
na Festa Literária do Medianeira – FLIM 2013. No palco da tenda montada próxima
a cancha esportiva do Colégio Medianeira, Cezar Tridapalli, organizador do
evento, fala ao público, formado em maioria por estudantes de 14-15 anos, sobre
o bate-papo da mesma manhã, no qual Daniel Zanella e Luiz Andriolli comentaram
que a literatura permite conhecer outras pessoas, como se as desses voz – e
Tridapalli passa a vez para Assionara Souza, mediadora desta sessão.
Ela pergunta aos dois escritores convidados
onde se esconde a poesia, visto que ambos adotaram esta forma de expressão. Para
Ricardo Pozzo, as crianças tem uma felicidade interior única, e o ‘mundo
adulto’ muitas vezes perde a sensibilidade para perceber as sutilezas do mundo
delas, recriado a sua própria maneira, e na falta de quem as ouça acabam
falando sozinhas – parte desse ‘falar sozinho’ sendo fonte de poesias e demais
escritos.
Já Marcelo Sandmann escreve a partir de
textos que lê – ‘estou o tempo todo conversando com outros escritores’. Mas não
é apenas dessas leituras que ele se alimenta para escrever, e sim de
experiências pessoais, na observação de detalhes do cotidiano.
Pozzo diz que começa a escrever porque lê, e
diz que todo mundo tem direito a escrever. Mesmo que seja algo apenas para si,
ou que a pessoa não goste do que escreveu quando for ler de novo, pois
considera que ao escrever se transmite um sentimento que não poderia ser contado
de outra forma.
Após ler um trecho de um poema de Marcelo
Sandmann, Assionara Souza pergunta como é a exposição de outros textos em sua
obra. Sandmann menciona policial em ascensão, histórias macabras ou pesadas do
cotidiano, conta que só as manchetes dos noticiários por si mesmas já contam
histórias, e a reunião que ele faz delas em suas poesias é como um choque de
linguagem entre o lado ‘bruto’ da realidade e o poético.
É preciso ser muito humano para ter
sensibilidade hoje, argumenta Ricardo Pozzo. Nas palavras dele, a poesia é uma
significação de força e sensibilidade, uma das expressões de humanidade em um
mundo que há incentivo a tudo, menos a essa face sensível.