quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Comprometimento com a Narração – Luís Henrique Pellanda e Sidney Rocha no Litercultura 2013

Romance é o gênero mais comum na literatura brasileira contemporânea – ou assim visto. É uma impressão possível, a partir do que Rogério Pereira, diretor da Biblioteca Pública do Paraná e editor do site de crônicas Vida Breve, mediador da sétima sessão do Litercultura 2013, comenta – “há uma pressão para o romance”.

“O romance é algo esperado”, responde Sidney Rocha, um dos convidados. Ele comenta que é como se o escritor só ‘amadurecesse’ após ter um romance publicado, e compara, brincando, três autores: o cronista é um girino, o contista é um sapo e o romancista é um sapão. “Ainda temos uma visão elitista da literatura”, afirma.

“Mas por que me perguntam isso? Fico imaginando se perguntam ao romancista ‘você vai escrever um conto’ ?”, responde Luís Henrique Pellanda,  outro convidado daquela sessão. Ele diz que essa questão de gêneros não existe para o leitor, como se este fosse atrás da produção de determinado autor, não necessariamente de um gênero. Inclusive, contando um pouco sobre o contato com os leitores, explica que “qualquer conversa com o leitor põe em terra qualquer teoria sobre crônica”. Rocha emenda: “No Brasil é uma pena que o prazer da leitura tenha sido contaminado por essas classificações” .

O mediador questiona se os convidados escolheram se tornarem escritores. Rocha responde que trabalhou como auxiliar de tipógrafo quando criança, e o lidar com a máquina “me carregou para esse meio”. Pellanda conta que “nunca foi uma escolha”, e sim algo gradativo, pois sempre gostou de ler, e inclusive trabalhou como jornalista devido a isso.

Rogério comenta sobre uma ingenuidade em relação aos gêneros, como se houvesse um que fosse “mais fácil de escrever”. “O que importa é o comprometimento do autor” – responde Pellanda. É mais fácil escrever um conto do que um romance, mas depende do tamanho, ele diz. “Quem participa desses processos tende a romantizar”.  “É necessário que o autor tenha comprometimento na arte de narrar”, continua Sidney, para quem não há técnica mais ou menos fácil.


Rogério Pereira pergunta a Sidney Rocha como é o processo de escrita, ao que ele responde “o romance vem desintencionalmente para mim, nem sempre sei que [o texto que começo a escrever] é romance”. Luís Henrique Pellanda comenta sobre a diferença ao escrever conto e crônica: naquele, nem sempre a narração é em primeira pessoa, existe uma personagem, e há um tom ficcional maior do que na crônica; que, por sua vez, “sou eu como narrador, me expondo pessoalmente”, escrita a partir de algo que ele presenciou ou viveu. Entre relatos ficcionais ou oriundos da observação do cotidiano, independente da classificação, lapida-se a arte de narrar e mexer com o leitor – em referência a brincadeira de um dos convidados, uma escrita tanto de girinos, sapinhos e sapões.