Romance é o gênero mais comum na literatura
brasileira contemporânea – ou assim visto. É uma impressão possível, a partir
do que Rogério Pereira, diretor da Biblioteca Pública do Paraná e editor do
site de crônicas Vida Breve, mediador da sétima sessão do Litercultura 2013,
comenta – “há uma pressão para o romance”.
“O romance é algo esperado”, responde Sidney
Rocha, um dos convidados. Ele comenta que é como se o escritor só ‘amadurecesse’
após ter um romance publicado, e compara, brincando, três autores: o cronista é
um girino, o contista é um sapo e o romancista é um sapão. “Ainda temos uma
visão elitista da literatura”, afirma.
“Mas por que me perguntam isso? Fico
imaginando se perguntam ao romancista ‘você vai escrever um conto’ ?”, responde
Luís Henrique Pellanda, outro convidado
daquela sessão. Ele diz que essa questão de gêneros não existe para o leitor,
como se este fosse atrás da produção de determinado autor, não necessariamente
de um gênero. Inclusive, contando um pouco sobre o contato com os leitores,
explica que “qualquer conversa com o leitor põe em terra qualquer teoria sobre
crônica”. Rocha emenda: “No Brasil é uma pena que o prazer da leitura tenha
sido contaminado por essas classificações” .
O mediador questiona se os convidados
escolheram se tornarem escritores. Rocha responde que trabalhou como auxiliar
de tipógrafo quando criança, e o lidar com a máquina “me carregou para esse
meio”. Pellanda conta que “nunca foi uma escolha”, e sim algo gradativo, pois
sempre gostou de ler, e inclusive trabalhou como jornalista devido a isso.
Rogério comenta sobre uma ingenuidade em
relação aos gêneros, como se houvesse um que fosse “mais fácil de escrever”. “O
que importa é o comprometimento do autor” – responde Pellanda. É mais fácil
escrever um conto do que um romance, mas depende do tamanho, ele diz. “Quem
participa desses processos tende a romantizar”. “É necessário que o autor tenha
comprometimento na arte de narrar”, continua Sidney, para quem não há técnica
mais ou menos fácil.
Rogério Pereira pergunta a Sidney Rocha como
é o processo de escrita, ao que ele responde “o romance vem desintencionalmente
para mim, nem sempre sei que [o texto que começo a escrever] é romance”. Luís
Henrique Pellanda comenta sobre a diferença ao escrever conto e crônica:
naquele, nem sempre a narração é em primeira pessoa, existe uma personagem, e
há um tom ficcional maior do que na crônica; que, por sua vez, “sou eu como
narrador, me expondo pessoalmente”, escrita a partir de algo que ele presenciou
ou viveu. Entre relatos ficcionais ou oriundos da observação do cotidiano, independente
da classificação, lapida-se a arte de narrar e mexer com o leitor – em
referência a brincadeira de um dos convidados, uma escrita tanto de girinos,
sapinhos e sapões.