Um Operário em Férias, coletânea de uma
centena de crônicas publicadas na Gazeta do Povo desde que seu autor tornou-se
cronista, é dividido em sete partes, em referência ao Poema de Sete Faces de
Carlos Drummond de Andrade. Christian Schwartz, organizador da citada reunião e
mediador da quinta sessão no Litercultura 2013, em 17 de agosto de 2013, menciona
o nome de uma das divisões de Operário – Viagens pela Leitura, e pergunta a
Cristóvão Tezza, seu autor, sobre a formação deste como leitor.
“É como se o mundo parasse na escrita”,
afirma Tezza, para quem a escrita é “um mundo que não tem propriamente
retorno”. Para ele, há esta “representação da realidade, como se o encontro não
fosse o suficiente”.
Cristóvão cita três autores fundamentais em
seu amadurecimento: Monteiro Lobato, a quem chama de iluminista e
essencialmente racionalizante; Julio Verne, com o ideário tecnológico e as
claras noções de bem e mal; e Arthur Conan Doyle, cuja personagem Sherlock
Holmes também representa o predomínio da razão.
“Muito do que a gente é depende de algumas
leituras”, afirma. Do ‘racionalismo’ que o influenciou no passado, transita
para outros terrenos – “o projeto de escritor já estava inserido no projeto
existencial”. Porém, ele não viaja para tal fala, apenas a transfere para a
leitura. “Não há discurso que dê conta de questões existenciais, mas a
literatura pode fazer isso”.