terça-feira, 20 de agosto de 2013

Do ‘racionalismo’ ao projeto existencial – Cristóvão Tezza no Litercultura 2013

Um Operário em Férias, coletânea de uma centena de crônicas publicadas na Gazeta do Povo desde que seu autor tornou-se cronista, é dividido em sete partes, em referência ao Poema de Sete Faces de Carlos Drummond de Andrade. Christian Schwartz, organizador da citada reunião e mediador da quinta sessão no Litercultura 2013, em 17 de agosto de 2013, menciona o nome de uma das divisões de Operário – Viagens pela Leitura, e pergunta a Cristóvão Tezza, seu autor, sobre a formação deste como leitor.

“É como se o mundo parasse na escrita”, afirma Tezza, para quem a escrita é “um mundo que não tem propriamente retorno”. Para ele, há esta “representação da realidade, como se o encontro não fosse o suficiente”.

Cristóvão cita três autores fundamentais em seu amadurecimento: Monteiro Lobato, a quem chama de iluminista e essencialmente racionalizante; Julio Verne, com o ideário tecnológico e as claras noções de bem e mal; e Arthur Conan Doyle, cuja personagem Sherlock Holmes também representa o predomínio da razão.


“Muito do que a gente é depende de algumas leituras”, afirma. Do ‘racionalismo’ que o influenciou no passado, transita para outros terrenos – “o projeto de escritor já estava inserido no projeto existencial”. Porém, ele não viaja para tal fala, apenas a transfere para a leitura. “Não há discurso que dê conta de questões existenciais, mas a literatura pode fazer isso”.