quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Pela Porta dos Quadrinhos – Fábio Moon e Rafael Coutinho na Semana Literária Sesc 2013

Último dia da Semana Literária Sesc 2013, que ocorria ao mesmo tempo em que a XI Feira Universitária UFPR, em Curitiba, capital do Paraná. Naquela manhã de sábado 21 de setembro, o último debate estabeleceu uma ponte com uma forma particular de leitura, mais precisamente os desenhos das Histórias em Quadrinhos.

Pela Porta dos Quadrinhos é o nome desta sessão, para a qual foram chamados dois quadrinistas. O mediador Yuri Al’Hanati inicia, perguntando a ambos como se deu o processo de transposição de histórias literárias para o universo das HQs. Fabio Moon conta que a HQ tem espaço delimitado, a história em questão teria que ter 70 páginas, e a preocupação dele durante o desenho de O Alienista foi manter a narração e o ritmo de leitura, pois não queria perder o que gosta no original de Machado de Assis, mesmo que a história desenhada fosse de sua autoria. Quanto a Rafael Coutinho, a diretriz foi contar Branca de Neve e os Sete Anões de maneira a manter o ambiente da original, sem ‘modernizar’ o conto.

Al’Hanati os indaga qual a experiência deles como leitores de quadrinhos adaptados. “Adaptação literária responde a uma demanda do país”, explica Coutinho. Conta que mesmo mantendo a essência da história original, o produto final acaba sendo outro, pela composição da HQ.

Vê a venda unicamente para escolas como problema, pois a pressa para cobrir uma demanda de adaptações pode ocasionar a contratação de editoras duvidosas, que alterem o conteúdo e sentido durante o processo. A isto, Fábio Moon complementa que criar uma História em Quadrinhos demora, e nem sempre há preparo para esta transposição ao atender uma demanda com urgência. “HQ é criar uma bolha e jogar o leitor lá, se o mercado não dá esse espaço, a bolha explode”.

Essas versões adaptadas podem ajudar a estimular o interesse pela versão original?, indaga o mediador. Fábio Moon responde que os poderes visuais e textuais das HQs dialogam com várias mídias e possuem características próprias. “A história tem que fazer a pessoa se sentir parte daquilo”, explica. “Faço a HQ o melhor que posso, talvez a pessoa queira ler a próxima coisa que faço.”.


Quanto a Rafael Coutinho diz que a forma com que a literatura é vista deve ser repaginada. “Tem que parar de enfiar Machado de Assis e Eça de Queiroz goela abaixo [dos estudantes], para de chamar adolescente de ignorante porque não leu a literatura do tempo da minha vó”, afirma. Seu colega complementa que a aprendizagem deve servir para instigar os alunos a fazerem relações entre as obras, “se não mostrar relevância o aluno não se interessa”.