Último dia da Semana Literária Sesc 2013, que
ocorria ao mesmo tempo em que a XI Feira Universitária UFPR, em Curitiba,
capital do Paraná. Naquela manhã de sábado 21 de setembro, o último debate
estabeleceu uma ponte com uma forma particular de leitura, mais precisamente os
desenhos das Histórias em Quadrinhos.
Pela Porta dos Quadrinhos é o nome desta
sessão, para a qual foram chamados dois quadrinistas. O mediador Yuri Al’Hanati
inicia, perguntando a ambos como se deu o processo de transposição de histórias
literárias para o universo das HQs. Fabio Moon conta que a HQ tem espaço
delimitado, a história em questão teria que ter 70 páginas, e a preocupação
dele durante o desenho de O Alienista foi manter a narração e o ritmo de
leitura, pois não queria perder o que gosta no original de Machado de Assis,
mesmo que a história desenhada fosse de sua autoria. Quanto a Rafael Coutinho,
a diretriz foi contar Branca de Neve e os Sete Anões de maneira a manter o
ambiente da original, sem ‘modernizar’ o conto.
Al’Hanati os indaga qual a experiência deles
como leitores de quadrinhos adaptados. “Adaptação literária responde a uma
demanda do país”, explica Coutinho. Conta que mesmo mantendo a essência da
história original, o produto final acaba sendo outro, pela composição da HQ.
Vê a venda unicamente para escolas como
problema, pois a pressa para cobrir uma demanda de adaptações pode ocasionar a
contratação de editoras duvidosas, que alterem o conteúdo e sentido durante o
processo. A isto, Fábio Moon complementa que criar uma História em Quadrinhos
demora, e nem sempre há preparo para esta transposição ao atender uma demanda
com urgência. “HQ é criar uma bolha e jogar o leitor lá, se o mercado não dá
esse espaço, a bolha explode”.
Essas versões adaptadas podem ajudar a
estimular o interesse pela versão original?, indaga o mediador. Fábio Moon
responde que os poderes visuais e textuais das HQs dialogam com várias mídias e
possuem características próprias. “A história tem que fazer a pessoa se sentir
parte daquilo”, explica. “Faço a HQ o melhor que posso, talvez a pessoa queira
ler a próxima coisa que faço.”.
Quanto a Rafael Coutinho diz que a forma com
que a literatura é vista deve ser repaginada. “Tem que parar de enfiar Machado
de Assis e Eça de Queiroz goela abaixo [dos estudantes], para de chamar
adolescente de ignorante porque não leu a literatura do tempo da minha vó”,
afirma. Seu colega complementa que a aprendizagem deve servir para instigar os
alunos a fazerem relações entre as obras, “se não mostrar relevância o aluno
não se interessa”.