Há dados numéricos contabilizando os livros
vendidos em 2011 na casa dos milhões, uma informação que soa uma incógnita em
um Brasil onde a média de leitura é quatro livros anuais por pessoa. O que
acontece de fato? É apresentando tal informação e pergunta que se inicia a
mesa-redonda Mundo de Livros, mediada por Omar Godoy, na noite de sexta-feira,
vinte de setembro, inclusa na Semana Literária Sesc 2013.
A convidada Heloisa Jahn conta ter visto o
panorama do mercado editorial pelo prisma de quem trabalhou anos revisando
material para publicação, visto que ela tem experiência na Brasiliense e na
Companhia das Letras. “As editoras tem buscado transformar o livro em objeto
importante”, afirma, após comentar que anos atrás não havia tanto cuidado na
revisão dos livros. As traduções nem sempre eram do idioma original, mas a
origem delas nem sempre era informação disponível ao comprador, e a diagramação
dos livros foi outro aspecto que foi gradativamente aperfeiçoado – além dos
direitos autorais, postos em prática a partir da metade da década de 80.
A partir do que Jahn conta, pode-se
interpretar que a convivência com a internet, como ela chama, está inclusa
nesta transformação. Ela faz uma divisão entre as leituras do objeto livro e as
da rede virtual: “leitura profunda do livro contra a leitura rasa de internet,
a capacidade de entrar no livro as vezes sai prejudicada”.
O mediador Godoy pergunta ao segundo
convidado se ele participou da transformação do mercado editorial ou já
embarcou nele após o início do processo. André Conti presenciou a transição do
mercado, o começo da internet no Brasil, e conta também que o mundo editorial
trabalhava em um ritmo mais lento, em comparação a média atual mensal de cinco
livros publicados pela Companhia das Letras, onde trabalha.
De acordo com ele, a real interferência da
internet ocorreu há aproximados oito anos, e um exemplo dela é a recepção do
livro. “Duas páginas na Veja tinham grande peso”, diz André, que viu a curva de
vendas de livros permanecer igual mesmo tendo ‘suado’ para ver resenhas
publicadas em veículos de grande alcance. Mas demonstra otimismo ao falar do
diálogo virtual estabelecido pelos leitores, através de comentários e resenhas
em blogs ou sites específicos – como disse, viu que o livro estava
‘borbulhando’ nas palavras positivas dos leitores.
Omar questiona os convidados sobre o que é
explicado a partir do índice de leitura. “A existência de livros e bibliotecas
não tem significado aumento no número de leitores”, afirma Heloisa Jahn. Seu
colega de debate adiciona que “o número de vendas é muito imaterial, o que você
tem é leitor, e tem que cultivar”.
E qual o impacto de eventos literários, com
suas oficinas, palestras, e sessões de autógrafos? André Conti responde que há
o lado bom de permitir aos leitores o contato direto com os autores, e há também
um aspecto financeiro, pois com tais eventos os autores tem um meio de viver de
literatura, “ao dar a cara em todo lugar que é convidado”.